Revista Mentores - Projeto Jovem Empresário

O nosso primeiro convidado de Pequenas Empresas|Grandes Negócios,
não tem uma empresa já tão pequena assim, ele é sócio
do Grupo Babilônia que conta já com 7 restaurantes, 300 funcionários e
atendem cerca de 80 mil clientes por mês. Marcelo Woellner Pereira,
é o primeiro case de sucesso que trazemos até você.

1- São 22 anos de uma bonita história empresarial, como foi chegar até aqui?

Como todo o mundo, você começa um projeto que é um sonho, e ele foi muito maior do que nós poderíamos imaginar à 22 anos atrás. Eu e o meu irmão começámos com uma empresa muito pequena de gastronomia empresarial, enfrentando todos os desafios que qualquer empresário enfrenta, principalmente no Brasil que é um país de muitas oportunidades, mas também muito engessado e de muita burocracia, mas apesar de todas as dificuldades conseguimos com muita perseverança e determinação alcançar o nosso objetivo de ter uma rede de restaurantes, mas como falei no início, a realidade tornou-se muito maior do que foi alguma vez o nosso sonho, jamais imaginámos ter e controlar tudo o que temos hoje, mas foi uma história muito bacana, valeu a pena e faria tudo de novo.

2 - Desde a abertura da primeira loja até hoje, decerto que muitos foram os planos que tiveram de ser revistos, quais as principais dificuldades que encontrou ao longo do caminho?

Empreender neste país não é fácil, tivemos de rever várias vezes a nossa estratégia e essa foi exatamente a ferramenta fundamental para a nós, o planejamento estratégico, poucas pessoas dão importância e todo mundo começa meio que por acaso, vai dando certo e vai-se ajeitando mas eu acho que essa não é a forma mais correta de se começar, embora também não exista receita para o sucesso.

Começámos muito pequenos num mercado corporativo e altamente competitivo e sem dúvida esse foi o nosso diferencial, ter um bom planejamento e qualidade, ter uma gestão de pessoas e recursos diferentes das demais empresas.

3 - Pioneiros no atendimento 24 horas, como é gerir uma empresa que não pára um segundo?

Esse foi mais um projeto que iniciámos em 2003 e muita gente nos chamou de loucos, que Curitiba não tinha mercado para isso mas nós resolvemos apostar, acreditar e já lá vão 14 anos de Babilônia 24 horas por dia. Não é fácil fazer essa gestão, toda a logística com os fornecedores, 3 turnos de funcionários, é um exército de gente trabalhando. Uma das coisas que nos orgulhamos é que pouquíssimas vezes recebemos alguma reclamação de alguém que chega às três ou quatro da manhã pedir um prato e nós não podemos servir porque falta determinado produto. Então fazer a gestão e o planejamento do negócio funciona muito bem mas é uma operação de guerra. É o desafio de abastecer um avião durante o voo.

4 - Quem já passou pelos seus restaurantes sabe que encontra uma oferta muito variada de produtos e todos de grande qualidade, como é feita a procura de fornecedores qualificados?

No começo da nossa história, nós éramos os fornecedores de grandes empresas multinacionais por todo o país, neste mercado você tem de ser muito qualificado e ter uma cadeia logística muito bem estruturada senão você nem senta na mesa para conversar, você simplesmente não se qualifica. E isso foi uma grande escola para nós, que nos trouxe muita ferramenta para a gestão dos nossos restaurantes hoje.

Aprendemos a qualificar e selecionar os fornecedores com visitas técnicas avaliando não só o produto quando o recebo, como a logística de distribuição, a produção e o transporte desde a origem até chegar no nosso restaurante. Essa ferramenta com certeza nos proporciona a segurança e higiene alimentar que hoje não é só um diferencial e sim uma regra básica.

5 - O atendimento é um dos pontos fulcrais de uma empresa, por isso não podemos deixar de falar também de mão de obra qualificada. Qual é a importância dessa qualificação?

O mercado atual tem sofrido rápidas e bruscas transformações, a oferta de produtos, serviços, entretenimento, gastronomia, diversão seja o que for é muito grande e tudo compete com tudo. O nosso desafio é ainda maior num mundo tão globalizado, então a qualificação e a capacitação das pessoas na questão do atendimento podem fazer todo o diferencial. Nós estamos num ambiente bonito, bem decorado e que pode ser facilmente copiado, o nosso prato também pode ser copiado, mas o seu atendimento, a sua maneira de fazer e de receber, a hospitalidade no seu negócio é o que faz a diferença. Nós investimos muita nessa qualificação e capacitação, caso tenha algum problema na manutenção ou se o produto não chega à expetativa do cliente, a única coisa que pode salvar esse atendimento é a Pessoa, seja do garçom, operador de caixa, segurança ou gerente, a abordagem deles vai complementar essa experiência.

6 - Estamos a falar de negócios, de empreendedorismo, de investimentos, nos tempos que correm e face a atual situação que o Brasil vive, é possível motivar jovens empresários a correrem atrás das suas ideias e projetos?

Sem dúvida! Empreender é criar, desenvolver, capacitar pessoas, realizar sonhos e transformar a vida de muitas pessoas. Nós estamos num país muito burocrático com muitos entraves e muito onerosa para as empresas, isso claro que atrapalha o desenvolvimento, mas também estamos num país com muito potencial e por isso temos de acreditar na transformação do Brasil. A união dos empresários de iniciativa privada tem muita força, a geração de empregos e de valores na cadeia produtiva é uma máquina que move o país. Então temos de acreditar, eu certamente faria tudo de novo.

8 – Uma experiência que teve ainda jovem foi a presidência da ABRASEL. Como foi cruzar esse caminho, e qual a importância da ABRASEL na vida de um empresário da área da gastronomia?

A experiência foi a melhor possível, eu já participava do conselho e porque tinha muito interesse e dava muito palpite então acabaram por me convidar para ser o presidente, fiquei por 7 anos nesse cargo. A ABRASEL é uma entidade muito importante para o setor da alimentação e que tem construído relações importantes com o governo federal, estadual e municipal, fazendo uma aproximação e buscando influenciar com nossas demandas legítimas. Tem desenvolvido esse papel fundamental no nosso setor que tem sido de grande valia. Fiquei muito feliz de ter passado por todo esse processo e ter construído grandes relações empresariais, foi uma experiência fantástica da qual não abriria mão.

9 – Deixemos agora de lado o empresário, como é o outro lado do Marcelo? Gosta de viajar, é fácil conciliar trabalho e família?

A nossa jornada é muito grande, então fácil não é. Eu adoro viajar, andar de moto, ficar em casa, mas nunca o consigo fazer na medida que eu gostaria.

Nossos negócios não dependem só de nós, temos uma equipe excelente e de grande confiança mas obviamente queremos sempre estar por perto, fazendo e se reinventando.

10 – Uma mensagem para o Marcelo, jovem empresário de 22 anos atrás?

Acredita não apenas no teu feeling e sonho, mas também na tua vontade e determinação! Eu faria absolutamente tudo de novo como eu fiz, até os erros, porque eles foram importantes no nosso crescimento. Nunca perca a paixão pelo negócio porque esse é o maior impulsionador do nosso desenvolvimento e desempenho.

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