Revista Mentores - Projeto Jovem Empresário

MARIA
MUDA O
MUNDO

Maria Ticiana desde muito cedo começou a quebrar estereótipos socialmente atribuídos às mulheres, uma sucessão de pequenas grandes coisas, como o fato de ter sido mãe enquanto ainda cursava a faculdade de Direito, culminou na bandeira que carrega hoje. O trabalho foi uma necessidade imediata e, enquanto a advogada atuava numa multinacional, chegou o segundo filho. Quando trocou a multinacional por um escritório de advocacia, a discriminação que sentiu pelo fato de ser mãe a motivou a abraçar uma luta. “Eu trabalhava, pagava as minhas contas, cuidava dos meus filhos e estava sujeita a uma série de julgamentos a meu respeito. Eu não entendia porque eu não poderia ser igual do ponto de vista econômico e social. Eu ansiava por igualdade de direitos”, conta.

Advogada da área empresarial, e com uma grande empatia pela questão dos direitos humanos, Ticiana decidiu modificar drasticamente sua rotina e para isso contou com o com o apoio da família. “Ganhei coragem para fazer algo que sempre quis e segui para os Estados Unidos, onde fui fazer um curso.”

A linha entre o sonho familiar e profissional é muito tênue. As decisões e sacrifícios que assumimos geram muito desconforto na sociedade, e não foi diferente para Maria Ticiana. “Apontar o dedo é fácil. Lutar por uma vida melhor, com independência financeira e estabilidade é outra história”, ressalta. Foi por meio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que Ticiana teve a oportunidade de realizar um intercâmbio no Sudão, e também foi lá que ela entendeu a gravidade absoluta da situação, na qual ela também se sentia inserida. “Eu fiquei um mês observando aquela realidade. No Sudão é a lei que oprime as mulheres. No Brasil somos vítimas da opressão da sociedade. Quando regressei, pensei: ‘Nossa, como eu sou livre’”, recorda. Mas ainda no aeroporto, conta que, ao sentir calor tirou o casaco e aquela ação tão cotidiana foi suficiente para receber uma cantada. “O cara mexeu comigo e eu fiquei tão constrangida que me obriguei a vestir o casaco novamente, aí refleti ‘Eu não sou livre’.”

Chegamos a um ponto em que as pessoas não só não entendem o conceito de feminismo, como também não entendem o que é o machismo, de tão comum e enraizado que está na sociedade. “Os países da América Latina ainda são muito machistas. O estereótipo feminino é muito valorizado e a mulher é muito objetificada. Até a questão do cavalheirismo tem uma linha muito tênue entre a gentileza e o machismo”, completa Ticiana.

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O PROJETO

Com a necessidade de ter uma voz mais ativa, Maria Ticiana fundou a Organização Não Governamental (ONG) Maria Muda o Mundo, juntamente de Célia Martins e Tayná Leite. “Atendemos mulheres, preferencialmente de classe C, para que possam disputar o mercado de trabalho em pé de igualdade. Nos últimos anos, muitas ascenderam por meio de programas sociais, mas não conseguem efetivamente competir com alguém que, por exemplo, estudou nos melhores colégios, fez faculdade e intercâmbio, fala outros idiomas ou, simplesmente, alguém que não precisa trabalhar e estudar”, explica.

Nesse cenário, muitas dessas mulheres também precisam conciliar carreira e maternidade, um desafio extra que a ONG pode orientar. “Ajudamos por intermédio de coaching, mentoring e também com workshops e cursos em temas variados”, completa.

Outra questão muito importante a ser abraçada é a formação de turmas de meninas de 14 a 17 anos, em escolas públicas.

“A escola precisa falar sobre machismo, igualdade de gênero, diversidade, sexualidade e até empreendedorismo”, aponta. Ticiana acredita que a discussão desses assuntos é fundamental para as mulheres se defenderem. “A pessoa que está mais autodeterminada, mais fortalecida e empoderada consegue reagir melhor em casos de violência. Ela não se sujeita a relações de abuso e opressão.”

A ONG Maria Muda o Mundo, que ainda está em processo inicial, busca associação com convênios e estuda parcerias com empresas, além de apoios financeiros por meio de doações e crowdfunding para que possam sustentar os recursos necessários ao projeto. Qualquer pessoa que se identifique com o projeto, e que queira se voluntariar, pode entrar em contato pelo e-mail mariamudaomundo@gmail.com.

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